Gerir a paisagem
O Contributo das OIGP para a Economia Rural
As Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP) constituem um instrumento estratégico de ordenamento e gestão territorial, particularmente relevante em contextos de elevada vulnerabilidade aos incêndios florestais, contribuindo para os objetivos fundamentais do Programa de Transformação da Paisagem: reduzir a vulnerabilidade do território a fogos rurais, valorizar a aptidão dos solos e melhorar os serviços prestados pelos ecossistemas, e aumentar o valor do território e dinamizar a economia, através de uma gestão ativa e articulada entre diferentes usos do solo e agentes territoriais.
Na sequência das conferências procedimentais, foi sistematizada a informação que agora se disponibiliza, devendo ressalvar-se que: (i) os dados analisados reportam-se às 62 OIGP aprovadas; (ii) as espécies identificadas — medronheiro, amendoeira, alfarrobeira, castanheiro, oliveira, pinheiro bravo, pinheiro-manso e sobreiro — incluem povoamentos puros e mistos; e (iii) a informação apresentada corresponde à que foi validada em sede de conferência procedimental.
A implementação das OIGP tem promovido uma transformação progressiva da paisagem, visível na reorganização do uso do solo. A análise da evolução das classes de uso e ocupação mostra a predominância das formações florestais, sobretudo pinheiro bravo e eucalipto, bem como áreas de matos que, apesar de uma redução significativa, continuam a ocupar uma parte relevante do território. Em paralelo, verifica-se uma maior diversificação dos usos do solo, com o reforço de áreas agrícolas, agroflorestais, silvopastoris, de pastagens. Esta transformação traduz-se na redução da continuidade de grandes manchas homogéneas, através da introdução de descontinuidades estratégicas através da implementação de estruturas da paisagem (estrutura ecológica e estrutura de resiliência) por sistemas mais diversos e multifuncionais.
Os gráficos apresentados, baseados nos dados das OIGP aprovadas, evidenciam de forma clara a aposta estratégica em espécies florestais e agrícolas de elevado interesse económico, reforçando a capacidade produtiva das áreas intervencionadas e contribuindo para a revitalização da economia rural.
A promoção de usos do solo orientados para a produção constitui uma dimensão central das OIGP, associando a valorização económica dos territórios rurais à sustentabilidade e à gestão ativa da paisagem. A função produtiva assume um papel estruturante na organização da paisagem, integrando atividades agrícolas, florestais e agroflorestais geradoras de rendimento e dinamizadoras da economia local. A análise evidencia que uma parte significativa da área das OIGP está afeta a usos com valor económico, integrados num modelo multifuncional que articula produção, proteção, conservação e redução do risco, nomeadamente de incêndio rural, contribuindo para o desenvolvimento económico sustentável e a resiliência do território.
Valorização de Espécies com Elevado Valor Económico
A valorização de espécies florestais e agrícolas de elevado potencial económico constitui um dos pilares fundamentais da dinamização da economia rural, permitindo reforçar fileiras produtivas estratégicas, diversificar fontes de rendimento e promover uma gestão mais ativa e sustentável do território. No âmbito das OIGP, esta abordagem traduz-se na promoção de espécies com forte ligação às economias locais, designadamente o medronheiro, a oliveira, o castanheiro, a amendoeira, a alfarrobeira e a cerejeira, cuja presença nas áreas de intervenção reflete uma aposta clara na criação de valor, na resiliência dos sistemas produtivos e na valorização dos recursos endógenos. Neste contexto, destacam-se igualmente, o pinheiro-bravo e o pinheiro-manso, que em conjunto representam uma parcela muito significativa das espécies com interesse económico, evidenciando o seu papel estruturante na economia rural, pela sua expressão significativa e contributo económico associado à produção de madeira, resina, biomassa e pinhão, bem como o sobreiro, pelo elevado valor dos seus produtos e pela sua relevância ambiental, assumindo um papel estruturante na economia rural e na gestão sustentável do território.
De forma geral, a distribuição das espécies revela-se diferenciada e ajustada aos diferentes contextos territoriais, evidenciando a adequação às condições ecológicas, climáticas e socioeconómicas de cada área de intervenção. Verifica-se a presença de espécies como a oliveira, o medronheiro, o castanheiro, a amendoeira, a alfarrobeira e a cerejeira com expressão variável nas diversas OIGP, em função das vocações e contextos locais. Estas espécies encontram-se distribuídas por OIGP localizadas no Norte, Centro e Sul do país, abrangendo diferentes tipologias territoriais, desde contextos de maior altitude a áreas do interior e territórios com distintas influências climáticas e ecológicas. No seu conjunto, esta diversidade contribui para a consolidação de sistemas produtivos multifuncionais, compatíveis com a gestão ativa da paisagem, a redução do risco de incêndio rural e a valorização económica dos territórios.
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Espécies com interesse para a Economia Rural nas OIGP (%)
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Espécies com interesse para a Economia Rural nas OIGP - Pinheiro Bravo, Pinheiro Manso, Sobreiro e outras espécies de interesse (%)
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Distribuição do Medronheiro, Castanheiro, Amendoeira, Alfarrobeira, Oliveira e Pinheiro Manso por OIGP (ha)

